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30/07/2010 |

Senar Rondon 2010 encerra suas ações em 10 cidades do interior

Foto: Igo Estrela

Brasília (30/07)- Depois de duas semanas de atividades em 10 municípios do Tocantins, Bahia e Minas Gerais, o Projeto Senar Rondon encerrou suas atividades nesta sexta-feira (30/7). A partir deste sábado (31/7), os mais de 200 estudantes universitários, professores, coordenadores e supervisores que participaram da inédita iniciativa do Sistema CNA retornam para seus Estados de origem. Na bagagem, levam muitas novidades para contar aos amigos e colegas e experiências profissionais e pessoais que carregarão para o resto de suas vidas. Nesses locais, puseram em prática tudo o que aprenderam até agora nas salas de aula, sempre em benefício das populações urbana e rural. Em troca, receberam a gratidão daqueles que são a prova viva da ausência do Estado no interior do País. A equipe volta para casa com a certeza de que não foram 15 dias de férias perdidos, mas 15 dias doados a quem precisa.
 
“Saber que esses jovens conseguiram mudar um pouquinho a vida de pessoas tão carentes, apesar do cansaço e do calor, mostra como é importante para o jovem da cidade conhecer o Brasil rural e os brasileiros que travam lutas diárias nos grotões do País”, diz a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu. Para o secretário executivo do Instituto CNA, Marcelo Garcia, a doação de todos à iniciativa foi o principal fator para o sucesso do projeto. “Os alunos estão cansados, mas com a sensação de dever cumprido. Voltam para casa com as malas repletas de experiências e ótimas histórias”, enfatiza.
  
Ao chegar aos destinos escolhidos, as equipes do Senar Rondon encontraram cenários desoladores. Escolas com problemas de conservação e sem infra-estrutura adequada, casas de barro e pau a pique, banheiros sem fossa séptica, animais domésticos e das criações doentes e fracos faziam parte da triste realidade. Mas os problemas não acabavam por aí. Falta de hospitais, de equipes e postos de saúde, moradores com hipertensão – reflexo da alimentação inadequada – e deficiências nos modelos de produção agrícola completavam a lista das carências observadas nos municípios.
 
As áreas rurais de todos os municípios visitados tinham uma característica comum: deficiências. As equipes passaram por Paulo Afonso e Santo Estevão, na Bahia, Lassance e Itacambira, em Minas Gerais, e seis no Tocantins: Araguaçu, Arraias, Brejinho do Nazaré, Paraná, Peixe e Presidente Kennedy. “Na zona rural, vi um quadro de extrema pobreza”, resumiu o estudante de medicina veterinária Tiago Moraes.
 
No entanto, nada os desanimou. Eles logo foram a campo e promoveram um verdadeiro mutirão nessas cidades. Medicaram animais, pintaram escolas, construíram banheiros, pesaram crianças, mediram a pressão arterial, apresentaram projetos urbanísticos. Também repassaram técnicas de produção rural e sanidade animal e vegetal, deram palestras sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e orientações sobre o uso de preservativos, dicas de nutrição, promoveram reforço escolar, brincadeiras infantis e atividades com idosos, além do cinema na praça.  Ainda visitaram assentamentos, comunidades quilombolas e vilarejos nas áreas rurais. Fizeram muito mais do que se esperava em apenas uma semana de trabalho em cada localidade. O resultado com o diagnóstico das ações e sugestões de propostas foi encaminhado às prefeituras, para que estas possam promover melhorias em seus municípios.
   
Mas não foram apenas as atividades profissionais que marcaram o Projeto Senar Rondon. Experiências pessoais também ficarão para sempre na memória de todos. Em vários momentos, o lado profissional cedeu lugar à emoção. Alunos trocando abraços com moradores locais, embalando bebês de colo e segurando animais de estimação foram cenas comuns. Em troca, estudantes, professores e coordenadores receberam muito carinho daqueles que tiveram, talvez pela primeira vez na vida, um pouco de atenção.
 
À distância, quem acompanhou o blog www.senarrondon.com.brpôde se emocionar com esses doces momentos. A história dos alunos que, em Presidente Kennedy (TO), ajudaram a escolher o nome de Lucas Daniel para um bebê de dois meses, que até então não tinha nome algum, é de arrepiar. Outro fato marcante aconteceu em Lassance (MG), onde uma senhora deitada em uma cama de asilo há mais de um ano foi posta em uma cadeira de rodas e foi levada para passear pela cidade.
  
No final das atividades, o saldo para todos do Senar Rondon foi um só: a satisfação profissional e pessoal por ter cumprido a missão de ajudar comunidades que esperavam, há muito tempo, por um pouco de atenção. “Aqui você tem uma noção diferente da realidade e pode contribuir como profissional, não apenas atuando para ganhar dinheiro, mas também melhorar a qualidade de vida das pessoas”, revela a estudante de medicina veterinária Aline Dourado. “O Senar Rondon abriu fronteiras e isso vai complementar meus conhecimentos”, afirma Guido Lorenzi, que cursa agronomia. “Foi muito bom ajudar populações carentes e receber um sorriso de gratidão como resposta”, completa a aluna de enfermagem Paula Emília Silva.
 
Um exemplo da vontade de querer ajudar foi o da estudante Nádia Mônica Ferreira, de Dourados (MS). Em uma atividade de lazer no primeiro dia em Peixe (TO), ela fraturou um dedo e teve de engessar o pé direito. Entretanto, por opção própria, ela seguiu até o fim no projeto e teve total apoio da equipe. “Ter participado foi maravilhoso. Encontramos muitas pessoas carentes e precisando de gente de bom coração para provar que ainda existe solidariedade no mundo. Machuquei meu pé, estou engessada, e todos aqui são maravilhosos. Pessoas diferentes, de diversos lugares e culturas, todos se ajudando. Viramos uma família.”
 
Senar Rondon 2011
         
As conquistas obtidas em toda a trajetória do primeiro Senar Rondon fizeram com que o Instituto CNA já planeje a segunda edição do projeto, em janeiro de 2011, com a participação de mais estudantes e professores, e assim, atendendo mais cidades. “Nada disso seria possível sem o empenho de cada um dos participantes. Agora queremos envolver mil alunos de todos os estados do Brasil”, informa o secretário executivo do Instituto CNA e coordenador geral do Senar Rondon, Marcelo Garcia.
 
A continuidade do projeto é uma solicitação unânime entre as várias autoridades municipais que acompanharam e apoiaram as atividades. “Foi uma experiência ímpar, fantástica. Mesmo com prazo curto o objetivo foi alcançado. E os diagnósticos vão nos ajudar bastante”, destaca a prefeita de Peixe, Neila Pereira dos Santos. “Espero mais visitas, pelo menos anuais. Com os resultados do Senar Rondon, será mais fácil mostrar a realidade do município”, enfatiza a prefeita de Paranã, segundo maior município em extensão territorial do Tocantins, Edymeé de Cássia.
  
A partir de agora, os mais de 200 estudantes que viveram a experiência do primeiro Senar Rondon serão as vozes responsáveis por difundir o projeto e incentivar seus amigos a participarem do projeto no próximo ano. Entre os dias 9 e 13 de agosto, eles devem se encontrar em suas universidades para trocar experiências. Na ocasião, serão conhecidos os melhores diários de campo, que os universitários e professores começaram a escrever quando saíram de suas casas para participar do projeto. Os melhores trabalhos serão premiados. O professor e o aluno receberão um lap top cada. Já está consolidada a certeza de que a segunda edição do Senar Rondon será ainda melhor do que a primeira.
 
Para mais informações acesse o blog www.senarrondon.com.br
 
 
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